domingo, setembro 10, 2006

Chuva.

Sou viciado, sei que sou. Por vezes diverte-me este estado de ausência, este estado semilouco, mas ele dura tão pouco, é tão perfeito, tão breve.
Navegava dentro de mim como de costume, o mundo era para mim um misto de cores estranhas, acho que cambaleava quando te vi.
Estavas suja, o teu vestido branco estava completamente negro no fundo, que lindo sorriso!
Rias-te de mim com os teus dentes brancos, estavas sozinha, divertias-te com a forma desconjugada com que eu me deslocava, chovia!
Disse-te tristemente, que há mais de sete anos, todos os dias, me deslocava assim para casa. Então tu, rebentaste num riso descontrolado que durou muito, eu chorei uma lágrima que a chuva levou.
Pensei no passado, pensei na vida, sou um fraco andarilho numa rua de Lisboa, tu és luz, és alegria, és prazer…
Disse-te que eras linda, que eras perfeita, que por ti nasceria outra vez, que por ti não seria mais sombra, disse-te que a meu lado serias a mulher mais feliz!
Tu sorriste ligeiramente, aproximaste-te da minha boca, disseste baixinho, - “Desculpa, mas metes-me nojo.”
Sorri.

sábado, setembro 09, 2006

Sei-o tão bem!

Bebe comigo deste vinho, mesmo não gostando…
Dança comigo esta música, mesmo não sabendo…
Agora fode-me, mesmo eu não querendo…
Viola-me intensamente, penetra-me, mesmo sabendo que não me desejas…
És meu escravo, fico sempre molhada, cada vez que te obrigo a penetrares-me…
Que tesão me dás! O teu membro grosso, belo e delicioso, chupava-o o dia todo se pudesse.
Sangro-te as costas, tu mereces! Gemes agora, enquanto te esvazias dentro de mim, és belo nos teus vinte e cinco anos.
Depois de hoje, não quero mais voltar a ver-te, sei-o tão bem!

Danço...

Danço por campos de papoilas. Nua, sou mais feliz, sou mais eu.
Mil músicas tocam em mim, danço ao sabor de todas elas.
Sou feliz! Sou tão feliz, meu Deus como é possível…
Caminho descalça pela erva, aquele friozinho, é a minha companhia.
Vou sem pressa, vou sem destino, que bela caminhada!
A vida não é nada para mim, eu não sou nada, vivo por viver, não quero destacar-me, sou apenas mais uma formiguinha, sou apenas alguém no meio de milhões, como é bom respirar!
Aqui estou mundo, ama-me! Dança comigo, faz amor comigo, mostra-te, quero ver tudo o que tens para me dar, quero ser tua amante para sempre.
Quero fundir-me contigo, quero morrer um dia com este sorriso nos lábios, embrulhada em ti.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Tu sabes...

Tristeza, és perversamente bela, tu sabes…
Em ultimo reduto, estás sempre lá.
Companheira, amiga, mas cruel, estás sempre lá
Odeio-te, mas tu nunca me enganas.
Também tu és infeliz, fazes-me rir…
És bela e infeliz como eu, tu sabes.
Sei que não prestas, mas admiro a tua pureza
Sei que não me amas, mas não te sou indiferente
Sei que queres partir, mas eu obrigo-te mais uma vez a ficar!

segunda-feira, setembro 04, 2006

Sábado

Estava cansado, atirei a minha aliança para o cinzeiro. Finalmente tinha acabado! Fumava tranquilamente, lá fora chovia, o meu chorão, (única arvore que plantei em toda a vida), vergava-se a um vento imponente e demolidor.
Eram quatro da tarde, os filhos do meu vizinho indiferentes ao terrível clima, jogavam futebol gritando constantemente, via-os da minha janela.
Respirei fundo, não estava feliz, embora não soubesse porque. Já tinha bebido uma garrafa de vinho sozinho, todo o meu pensamento estava toldado, sabia-o bem.
Apetecia-me gritar, sair lá para fora nú e gritar! Desafiar o tempo, desafiar os deuses, cuspir nas pessoas, violar mulheres, bater em homens mais fracos que eu.
No entanto nada disso fazia, apenas me embriagava como qualquer paspalho de classe média. Também sabia que não era correcto praticar tais acções, sabia bem que jamais teria coragem para realizar tais inventos, não era da minha natureza ser violento, no entanto esta revolta assaltava-me neste estúpido e solitário sábado à tarde.
A ideia varreu-me o espírito como um relâmpago.
Sem pensar, agarrei o telefone, acertei o preso (cento e cinquenta euros), passado uma hora ela já tocava a campainha.
Sorriu quando lhe abri a porta, fantástica, morena, calçava como mandava a praxe uns horríveis sapatos pretos de salto alto. Lábios perfeitos, grossos, lançaram um sorriso de profissional. Ela ia falar, interrompi-a imediatamente, perguntei-lhe antes que falasse alguma coisa, se teria coragem de atirar os sapatos porta fora.
Sensualmente ela mordeu por momentos o lábio superior, em seguida atirou violentamente os sapatos quase acertando nos miúdos.
Encostou-se imediatamente ao balcão do bar da minha sala, de costas para mim deixou cair uma curta saia ao xadrez, um rabo pequeno mas empinado prendeu o meu olhar, um fio dental cor-de-rosa separava duas nádegas convidativas.
O seu cabelo negro e liso estava apanhado, o rabo-de-cavalo que formava estava preso por um pequeno elástico da cor das cuecas.
Sentia-me a enlouquecer, avancei louco, sem demoras agarrei-lhe o cabelo, forçando-a a encostar a boca no balcão. Resistiu a vergar-se, obriguei-a com violência, dobrou-se sobre si mesma lançando-me as únicas cinco palavras que lhe ouvi.
Quero sentir-te no meu rabo! Disse baixinho.
Ao ouvir isto larguei-a, virei costas e vim sentar-me no sofá, disse-lhe calmamente sorrindo, que quem mandava ali era eu e que não queria que mais abrisse a boca.
De imediato tirou as cuecas, meteu-as na boca, tirou a parte de cima de onde saltaram duas maminhas pequenas e rijas.
Do fundo da minha sala, sentado, ao ver aquela miúda gatinhar para mim de olhos cravados no meu sexo, não pude deixar de pensar como era solitário. Mas logo em seguida pensei que a ia devorar, ela tirou-me as calças e acolheu-me na sua boca, que quente estava!
Escoria-lhe saliva pela boca enquanto chupava lentamente o meu pénis, passados alguns minutos já ambos corríamos a alta velocidade, ela parecia estar a tirar tanto gozo do sexo oral como eu. Devíamos ter praticamente a mesma idade, não devia estar habituada a clientes tão novos.
Não aguentei mais, procurei retirar o meu membro, ela ao aperceber-se do meu acto agarrou-me pela cintura, cravou as unhas no meu rabo e abocanhou-me com força.
Ejaculei! Quente a boca dela acolheu todo o meu sémen, só quando sentiu que tinham terminado todas as minhas convulsões retirou a sua boca, sorriu para mim.
Engoliu tudo na minha frente, vestiu-se, apanhou a minha aliança e saiu porta fora. Deixei-a ir…

quinta-feira, agosto 31, 2006

É tão vermelho o teu sofá!

Sento-me no teu sofá vermelho, tu não estás. É tão vermelho o teu sofá!
Fecho os olhos. És tão morena! Deitada assim nua, encolhes ligeiramente a perna de forma a tapares o teu lindo e viscoso sexo, todo o meu corpo ainda cheira a ele.
Brincas deliciosamente com o teu pé, é tão perfeito.
Agora viras-te de barriga para baixo, sentes o contacto da tua vagina com a já gasta lona vermelha, o teu rabo redondo e empinado abarca toda a largura do sofá, convida-me.
Deito-me sobre ti, o meu membro, ao tocar na tua pele cresce. Com as duas mãos seguro-te o pescoço, começas a mover as tuas ancas, os teus movimentos circulares fazem-nos entrar numa fricção louca, cada vez mais rápido, cada vez mais rápido.
Já em desespero, sem tirar as mãos do teu pescoço procuro encontrar o teu buraquinho. Finalmente consigo, mesmo sem ver a tua cara sinto-te arquejar, já perdida libertas um pequeno e singelo gemido. É bom viver! A frase está a ser cantada em todas as cavidades do meu corpo.
Adoro o teu sofá, mesmo quando tu não estás.

Vício de viver.

Poderá o vício do jogo ser mais destrutivo, que amar uma mulher que não nos quer?
Será que existe algo que nos perturbe mais, que sentir dentro de nós um amor, de tal forma incondicional, de tal forma arrebatador, que nos destrua e nos roube o que temos de mais sólido, a nossa vontade de viver?
Sem duvida, amar loucamente uma mulher que não nos quer, é de longe mais destrutivo que qualquer vício.
Não considero que a ausência da mulher que amamos, mas que nunca tivemos, nos possa roubar a vontade de viver.